Esplendor Brasil

Rosea Nigra

Vozes do Paraná 4

Conheça mais 20 parananeses ilustres, retratados com a precisão biográfica e o refinado texto que só o jornalista Aroldo Murá G. Haygert sabe fazer. "O professor Aroldo é, na atualidade, um dos biógrafos mais importantes do Sul do Brasil", afirma escritor Dante Mendonça, membro da Academia Paranaense de Letras.

Com precisão verbal temperada no dia a dia febril das redações, no incessante esforço de captar num átimo de tempo aquilo que é o essencial, ainda mais apurada pela necessidade de exatidão e comunicação imediata, atento a tudo, sem perder de vista pormenores relevantes, o jornalista Aroldo Murá G. Haygert transformou-se no observador e resenhista arguto da vida das pessoas que agem, pensam e fazem o Paraná. Vindo do texto jornalístico, transitou para o nível mais alto do ensaio, dando vazão à necessidade de empatia com as variadas formas da aventura humana. Muito mais do que “flashes” de reportagem, assim, os pequenos retratos biográficos que compõem os seus “Perfis”, agora no quarto volume, são pequenas obras literárias de índole humanista, painéis dinâmicos e às vezes com pinceladas de lirismo, das singularidades daqueles que retrata. Cada texto é síntese de breve narrativa e análise existencial, fixando características marcantes e realçando as principais linhas dos papéis desempenhados pelos protagonistas deste “Perfis 4”.

Em todos os retratos se percebe a marca de quem, além de dedicar a vida inteira ao jornalismo, preocupa-se com o indecifrável mistério do destino humano. Essa preocupação levou Aroldo, cristão fervoroso, a aprofundar-se em estudos de problemas teológicos e história das religiões. Sem ser “leitor de um livro só”, ao contrário dos que sucumbem ao auto-enclausuramento dentro de suas próprias convicções, acumulou vasta cultura, eclética, e soube tirar conclusões filosóficas de sua própria experiência de vida. Somente alguém assim é capaz de analisar outras vidas. Defensor aguerrido da fé católica, civilizadamente convive com pastores, rabinos e representantes de outros credos ou não-credos, sem qualquer dificuldade ou preconceito. Trata crentes e não-crentes com o mesmo respeito. E só alguém assim poderia fazer retratos com serenidade e isenção, estando aberto para o vasto mundo das diferenças e contradições. O moço gaúcho que se tornou paranaense ainda menino, quando o pai, “seu” Manoel, foi transferido para cá, é hoje aquele que melhor compreende a gente de nosso Estado.

Como jornalista está acompanhando, há meio século, tudo o que se passa entre nós. Viu o Paraná mudar, viu os paranaenses mudarem. É, assim, com visão calibrada pela consciência do efêmero, somada à fé na perenidade do que é fundamental, que interpreta o essencial da vida de cada um dos que retrata em seus “Perfis”. Com a mesma desenvoltura com que enfoca aqueles que participam de seu próprio mundo profissional, como os jornalistas Fábio Campana, Dante Mendonça, José Wille, Gilmar Piolla e Tato Taborda (este também homem público, como secretário de Estado no governo Lerner), faz o levantamento existencial de empresários como Darci Piana, Edson Luiz Campagnolo, Regina Casillo (ligada às artes), e Francisco Simeão (este também ex-secretário de Estado, no governo José Richa). Sem se envolver em partidarismos, nos dá o retrato da deputada Cida Borghetti e do paranaense que talvez seja quem, até hoje, sem ser político, mais exerceu cargos públicos de primeiro escalão no governo federal, Maurício Schulman. Pode-se dizer que, neste volume, o luso-brasileiro José Dionísio Rodrigues representa os publicitários, inserindo-se, como dono de agência, também entre os empresários. Já Manoel Andrade é o representante da poesia, assim como Ney José de Freitas o da justiça. Em que categoria profissional incluir o advogado Henrique Paulo Schmidlin, o “Vitamina”? Homem multifacetado e intelectual polivalente, defensor de nosso patrimônio natural e cultural, “Vita” só por Aroldo mesmo é que poderia ser exatamente retratado. Também ligado ao patrimônio natural, Adilson Simão é alvo de enfoque que abrange suas várias atividades. Com Almira de Cerjat — cujo centenário se comemoraria em 2011, se viva estivesse — a educadora  Rosicler Hauagge do Prado e a quase santa Madre Belém, completa-se o elenco de personagens, integrados no microcosmo humano que Aroldo amorosamente nos apresenta neste volume.

Vale lembrar de novo, pois o fato tem sido utilizado várias vezes como “gancho” e como fecho, sem contudo perder o potencial significativo, que os povos primitivos, no contato inicial com o homem branco, temiam que as máquinas fotográficas fossem um instrumento para lhes roubar a alma. Nesse cenário, a crendice primitiva seria logo dissipada pela sensibilidade telúrica, pois bem depressa intuiriam, diante de Aroldo Murá, que nada teriam a temer. O “fotógrafo de vidas”, autor dos brilhantes textos deste volume, capta, mas não rouba a alma de ninguém, enriquecendo tanto os biografados quanto os leitores, com uma visão nova, um ângulo diferente e um registro destinado a permanecer.

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