Esplendor Brasil

Rosea Nigra

MARIA BATALHÃO - MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UMA CAFETINA

"Maria Batalhão, uma senhora cafetina", o novo livro do escritor e jornalista Dante Mendonça, reconstitui, com todos os seu matizes, a história dos bordéis no Brasil

 

 Maria Batalhão, uma senhora cafetina

                                          

Maria Batalhão - Memórias póstumas de uma cafetina

Autor: Dante Mendonça

Editora Esplendor (280 páginas, R$ 45,00)

Lançamento: 21 de setembro, das 17h às 21h30 no Paço da Liberdade – Café

Praça Generoso Marques, Centro, Curitiba PR

 

A partir de um episódio inicial do livro “Aventuras do Dr. Bogoloff”, do escritor Lima Barreto, o escritor Dante Mendonça retoma o drama de uma jovem que sai da Ucrânia e cruza o Oceano Atlântico com um destino traçado: o inferno da prostituição em Buenos Aires, sob as garras do império criminoso chamado Zwi Migdal. Ao fazer escala no Rio de Janeiro, no entanto, o russo Bogoloff faz a garota mudar o seu próprio destino e os agentes da Imigração, considerando a sua origem, a encaminham para a mais ucraniana das terras paranaenses, Prudentópolis, no centro do estado. Depois de alguns anos na roça e abandonada pelo companheiro de viagem, ela decide partir para Curitiba, em busca de um novo rumo. A primeira porta aberta que encontra é a de um decadente bordel na rua do quartel.

 É justamente neste ambiente de penumbras, achincalhes e sussuros malcontidos que nasce Maria Batalhão. As agruras da vida perdida forjam, com o passar dos anos, uma mulher de espírito forte, sorrateira e negocista, que se torna a rainha dos prazeres da carne para soldados, poderosos e todo o tipo de tarado e solitário. Este curioso universo de paixões carnais, segredos e momentos picarescos da alma de nossa sociedade inominável é a matéria-prima do ficcionista, cartunista e observador de costumes Dante Mendonça que, a rigor, recria com todos seus matizes, neste livro, a essência da vida dos prostíbulos, no Brasil.

O escritor Deonísio da Silva, que prefacia o livro de Dante Mendonça, constata: Maria Batalhão indica no próprio nome a multidão de clientes: políticos, empresários, militares, etc. A prestação de serviços sexuais integrou os batalhões, como nos mostra, entre tantos outros, Mário Vargas Llosa em “Pantaleão e as Visitadoras”. E acrescenta: “Já foram cachorras, vacas e piranhas. Mas hoje as antigas rameiras portuguesas se envergonhariam da audácia das acompanhantes e garotas de programa, sucessoras das antigas cortesãs, anunciando-se na mídia sem vergonha nenhuma!”

Na penteadeira de Maria Batalhão, repousam as mais íntimas recordações das gloriosas cafetinas da obra de Dalton Trevisan: Dinorá, que custeou a faculdade de muito doutorzinho; Otília, com seu bangalô de cor azul-calcinha; Alice, a fada negra que fervia no caldeirão água quentinha para as suas meninas; Uda, que às três da tarde recebia ungidos do Senhor; Ávila, a loira de novecentos quilos, parente de Jânio Quadros; quem era Madame Genet, que fez mais para imaginação de muitos brasileiros do que Alexandre Dumas ou Victor Hugo? Que fim levou a Francesa do Cachorrinho, que não era uma, mas eram muitas?

Deonísio Silva afirma de maneira categórica: “ Quão poucas são estas linhas para dar uma pitadinha deste deslumbrante e assombroso livro de Dante Mendonça!”

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Dante Mendonça é jornalista, cartunista e membro da Academia Paranaense de Letras. Nascido em Nova Trento (SC), é Cidadão Honorário de Curitiba, onde está radicado desde 1970. Cronista diário do jornal “Tribuna do Paraná”, tem os seguintes livros publicados: Álbum de Figurinhas & Figurões (coletânea de charges publicadas no jornal “O Estado do Paraná”); Botecário – Dicionário internacional de botecos; Piadas de sacanear atleticano e coxa branca; Piadas de sacanear vascaíno e flamenguista; A Banda Polaca – Humor do imigrante no Brasil Meridional; Curitiba: Melhores Defeitos e Piores Qualidades; Serra Abaixo Serra Acima – O Paraná de trás pra frente.


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